Manoel Linhares: acordos com Airbnb ou Ecad precisam ser nacionais

Respondendo sobre o acordo firmado entre a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de São Paulo (ABIH-SP) e o Airbnb, o presidente da ABIH Nacional, Manoel Linhares, afirmou que este tipo de parceria não pode ser firmado em âmbito estadual, pois – na opinião dele – enfraquece a luta que a entidade vem travando há alguns anos pela regulamentação da plataforma que oferece quartos e imóveis residenciais para turistas.

“Somos contra qualquer acordo que estadual venha a ser feito com o Airbnb ou com o Ecad”, afirmou o dirigente, citando duas grandes bandeiras levantadas pela sua gestão. “As ABIHs estaduais são independentes, mas não concordamos com o acordo. Tivemos uma reunião ontem e outros presidentes também se manifestaram de maneira contrária”, complementou.

Linhares lembrou os motivos de se colocar contra o acordo. Segundo ele, a hotelaria segue pagando uma alta carga tributária, o que não ocorre com essas plataformas. Além disso, ele cita a segurança, que se inicia com os dados colhidos durante o check-in. “A hotelaria gera 1,1 milhão de empregos diretos e indiretos no Brasil. Isso não corre com o Airbnb”, destacou.

Outro lado

O Mercado & Eventos ouviu também o presidente da ABIH-SP, Ricardo Roman Jr. O dirigente ressaltou que os termos do acordo serão ainda levados ao conhecimento da ABIH Nacional, mas que as ações já tiveram início e irão beneficiar os hoteleiros paulistas. “Foi um acordo feito pelos hoteleiros de São Paulo. E hoje já existem outros hotéis na plataforma do Airbnb”, disse.

Roman Jr explicou ainda que dentro da plataforma do Airbnb haverá uma área específica para hotéis. “É mais um canal de distribuição para a gente. Além disso o acordo de cooperação mútua tem outros pontos que beneficial a todos nós”, esclareceu.

Nota oficial

A ABIH Nacional enviou uma nota oficial sobre o acordo, na qual afirma que recebeu a notícia do acordo com a associação paulista com insatisfação. “A ABIH Nacional informa que não endossa acordos unilaterais celebrados sem a sua anuência, tendo em vista que as ABIH’s estaduais devem observar as diretrizes da entidade nacional”, diz o texto.

A nota continua dizendo que “assuntos de relevância nacional devem necessariamente observar o mesmo direcionamento da ABIH Nacional”.  A entidade afirma que “por serem de grande relevância, com amplas discussões inclusive pelo Congresso Nacional para sua regulamentação e/ou mudanças, eles devem contar com as diretrizes e com as políticas adotadas pela ABIH Nacional”.

Fonte: Mercado & Eventos