Pandemia no setor hoteleiro - Osmar José Vailatti é entrevistado por Larissa Kümmel

Impacto da Pandemia no Setor Hoteleiro

Os impactos da pandemia no setor hoteleiro foi o tema da entrevista de Osmar José Vailatti, diretor-presidente da ABIH-SC, à Larissa Kümmel, apresentadora da Record News TV de Balneário Camboriú, também hoteleira e diretora da ABIH-RS. Confira abaixo as perguntas e respostas desta conversa.

Larissa: De uma forma geral. Qual o impacto da Covid-19 no setor hoteleiro em Santa Catarina? Qual o percentual de hotéis que estão fechados e de hotéis que estão fechados e não serão reabertos.

Osmar: A Covid-19 afetou mais do que os setores do turismo e a hotelaria, mas certamente, lideramos o ranking dos mais atingidos. Fomos ao fundo do poço. Milhares de demissões, muitos hotéis sucumbiram. Acreditamos que em torno de 20% dos hotéis não abrirão mais. Temos hoje aproximadamente 40% de hotéis fechados no estado. Uma medida inteligente, pois abrir o hotel na maioria das vezes custa mais caro do que deixá-lo fechado. Os que estão abertos trabalham com baixa ocupação, variando de 5 a 15%.

Larissa: Quais são as principais mudanças que você acredita que afetará o setor diante essa pandemia e como o hoteleiro pode se adaptar a elas?

Osmar: Primeiramente o hoteleiro precisa pensar em salvar sua empresa. Não sabemos quando terminará esta agonia. Há muita incerteza ainda. A hotelaria não será mais a mesma. Precisamos hoje demonstrar às pessoas e ao mercado que mudamos, que estamos dando prioridade aos protocolos, que estamos cuidando da saúde e preocupados com a vida das pessoas, sejam colaboradores ou visitantes/hóspedes.   

Percebo também um movimento do mercado para o digital, já que a tecnologia tem proporcionado essa nova experiência de consumo. É preciso manter a comunicação e manter a presença no mercado, pois a escolha do cliente será pelas experiências que ele tiver durante a compra e pela confiança que conseguir sentir nesta relação.

Larissa: Qual a sua previsão para o setor voltar a “normalidade”?

Osmar: A pandemia está resistente. No início, em março, achávamos que em julho já teríamos vencido o coronavírus. Hoje as melhores previsões citam o último trimestre deste ano como início forte da recuperação, outros preveem a recuperação total somente para final de 2021.

Larissa: Acredito que nosso hóspede está muito mais exigente após a Covid-19. Quais serão as principais necessidades dele na sua visão?

Osmar: O novo coronavírus afetou a saúde das pessoas no aspecto econômico, físico e mental. As pessoas estão inseguras, com medo e sem condições de fazerem planos, de terem sonhos, pois estão psicologicamente perturbadas. A hotelaria precisa criar ambientes para vencer estas barreiras e proporcionar ao turista um ambiente de paz, acolhimento e bem-estar. Neste momento, o que o hóspede mais quer é segurança e limpeza. Sentir que estão em um ambiente com segurança sanitária em todos os ambientes do quarto, as áreas comuns, academias, restaurante, entre outras.  

Larissa: Como a ABIH-SC e ABIH Nacional estão agindo para ajudar o setor hoteleiro?

Osmar: O Presidente da ABIH Nacional, Manoel Linhares, é um lutador sem igual. Tem lutado muito, trabalhado incansavelmente para defender junto ao Governo, ao Congresso Nacional, Ministérios e entidades a necessidade de apoio ao turismo e a hotelaria. O setor de serviços emprega muito e representa um pilar forte da economia de SC, do Brasil e do mundo. Tenho orgulho de fazer parte da Diretoria Nacional sob a liderança de Manoel Linhares e sua Equipe. Apesar das lutas, muitas demandas foram atendidas, outras não.

Em Santa Catarina criamos um grupo de apoio aos associados via whatsapp, envio de informativos constantes com decretos atualizados, orientações e suporte de toda equipe de consultores da entidade na área jurídica, administrativa, comercial e de pessoal. Foram criados cursos e gratuitos e pagos para também colaborar com a atualização profissional neste momento de isolamento. Uma campanha nas redes sociais de apoio, incentivo e valorização dos hoteleiros também foi iniciada com artigos para uma retomada de sucesso, peças publicitárias e divulgação dos hotéis que estavam em funcionamento. Além de todo suporte dos hoteleiros nas regionais através dos diretores locais.

Larissa: Quais são as medidas adotadas pelo Governo para proteger o setor?

Osmar: o Governo tem contribuído muito pouco para ajudar a salvar a hotelaria. Algumas medidas ajudaram o setor, porém muito pouco para satisfazer e contribuir mais fortemente com a recuperação da hotelaria. A economia do turismo quer voltar a ser o que era, e o Governo precisa se envolver mais. Várias linhas de crédito foram e são anunciadas pelo Governo, porém, os bancos não disponibilizam os recursos e dificultam a liberação. Não chegam ao destino. É lamentável.

Larissa: As principais diferenças que os hotéis que atendem o turismo de negócio têm para o turismo de lazer. Existem expectativas diferentes para esses setores?

Osmar: Se a hotelaria de lazer foi afetada mortalmente pelo novo coronavírus, muito mais o foi o turismo de negócios, o corporativo. Sabemos que a tecnologia está sendo utilizada intensamente tanto para a prática de reuniões quanto para eventos e tudo o mais que se relaciona a negócios, diminuindo as viagens longas. Já o turismo de lazer pode se fortalecer com o turismo regional, disponível em viagens curtas, gastos menores e destinos seguros que se incorporam à natureza.   

Larissa: Quais são as suas perspectivas para o futuro da atividade hoteleira no Estado de Santa Catarina e no Brasil?

“O turismo sumiu, o turista não”. Esta frase sintetiza bem o que esperamos. Tenho muita fé e esperança na recuperação do setor de turismo. Acredito que tudo passará e que as pessoas voltarão a viajar muito.

“O mundo ama viajar”. Santa Catarina é um oásis de belezas naturais, de destinos turísticos que encantam as pessoas, as famílias. Precisamos da união de todos os segmentos que envolvem a economia do turismo. O turismo congrega 21 atividades diretas (que existem exclusivamente para o turismo), 142 atividades indiretas, 191 atividades compartilhadas e 217 atividades aquecidas, ou seja, a soma alcança 571 setores envolvidos no turismo. É essa união que será a grande engrenagem para a recuperação e retomada econômica..

Precisamos trabalhar muito, ser criativos, valorizar as pessoas e amar o que fazemos.

Viva o turismo e sucesso à hotelaria!

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