Florianópolis tem expectativa para verão parecido com o pré-pandemia

Florianópolis tem expectativa para verão parecido com o pré-pandemia

Cerca de 80% das vagas de hotéis já estão reservadas para as festas de final de ano. Um convite para praia aqui, um dia de sol por ali, o final do ano vem se aproximando e uma palavra começa a martelar na cabeça de quem gosta de aproveitar o calor: verão!

Principalmente depois de períodos difíceis por causa da pandemia. Agora com internações e óbitos pela Covid-19 em queda e o percentual da vacinação subindo, o setor de turismo começa a olhar para os meses mais quentes como uma boa oportunidade de retomada.Segundo o superintendente do Turismo de Florianópolis, Vinícius de Luca, haverá um grande movimento de turistas no verão e algumas datas têm servido de termômetro para medir a presença de visitantes na Capital.

“Os últimos feriados de setembro, outubro e novembro já demonstraram que o turista de lazer está retornando com força. Os números de ocupação hoteleira já são iguais aos registrados antes da pandemia nos hotéis de praia”.

A expectativa do superintendente bate com os números. De acordo com a Abih (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis), a taxa de ocupação dos hotéis da Grande Florianópolis no Natal e Réveillon de 2019 foi de 80,68% e 90% respectivamente, já para esta temporada cerca de 80% das vagas já foram reservadas para as festas deste fim de ano.

“A busca hoje está mais concentrada até a primeira semana de janeiro, mas o brasileiro tem o hábito de marcar essas viagens em cima da hora, então acredito que teremos turistas no restante do verão também” disse o diretor regional da Abih-SC, Luciano Oliveira.

Como a busca é maior nas festas de fim de ano, a prefeitura está se mobilizando para chamar a atenção de quem escolher Floripa para passar a virada. Esse ano, apesar de não ter o palco com os shows, a cidade terá a volta da queima de fogos e Vinicius de Luca garante que “o show pirotécnico será especial”.Ele ainda adiantou que terá duas surpresas, uma delas relacionada à ponte Hercílio Luz, cartão postal onde costuma acontecer o show pirotécnico.

Perspectiva de melhora na contratação para a temporada

Todo esse movimento traz também uma outra perspectiva para quem trabalha no verão, que é a da oferta de empregos, principalmente no setor alimentício. Essa época do ano faz com que muitos bares e restaurantes busquem mais gente para atender à alta demanda.Praias da Capital devem receber grande número de turistas neste verão – Foto: Leo Munhoz/NDPraias da Capital devem receber grande número de turistas neste verão – Foto: Leo Munhoz/ND

Conforme a Abrasel-SC (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) o setor gerava, antes da pandemia, 25 mil empregos diretos em Florianópolis e chegou a ter apenas 60% de funcionários do pico da segunda onda do coronavírus.“Ainda não temos os dados porque os estabelecimentos estão começando a se planejar, mas já conseguimos ver uma procura grande e nesse período o número de empregados chega a triplicar”, conta o presidente da entidade em SC, Raphael Dabdab.

Não só em empregos diretos, mas a temporada que está para chegar pode ser uma oportunidade. Gregory Ferreira mora em Curitiba, mas há três anos vem para a ilha trabalhar como ambulante na praia de Canasvieiras. Com a presença maior de pessoas na areia, decidiu comprar o próprio carrinho de drinks.

“Temos acompanhado as vendas diárias e o consumidor vem disposto a aproveitar mais. Conforme a vacinação avança, eles vão se soltando mais”, conta.

E é a vacinação que tem gerado segurança para o turismo prosperar novamente. A secretaria de Saúde da Capital trata da imunização como principal caminho para uma abertura mais ampla e retorno à “normalidade”, tanto que a prefeitura pretende liberar o uso de máscaras (com a condição do governo federal e estadual) quando a cidade chegar a 80% das pessoas completamente imunizadas. Ontem o índice estava em 75,91%.

Caminho é longo para recuperar as perdas

Apesar de hoje o fim da pandemia estar um pouco mais visível, o setor do turismo ainda vê um longo caminho para “recuperar” as perdas. Ferreira, que hoje possui cinco funcionários para fazer os coquetéis e pretende dobrar para a temporada, conta que ainda assim não será fácil. “Provavelmente nós não vamos conseguir compensar esse ano com o que passou, vai levar um tempo”.

A Abrasel estima que o setor do turismo em Florianópolis precisará de dois a quatro anos para conseguir voltar a crescer. “Mesmo com a boa perspectiva do verão, muitos estabelecimentos podem não sobreviver. De cada 10 bares e restaurantes na Capital, três fecharam e cinco estão com dívidas”, completa Dabdab.

Foto: Leo Munhoz/ND

Fonte: ND+